LULA VERSUS ALCKMIN, DEBATE FINAL
Foto: UOL
A Hilda do blog Casa da Sogra tem razão quando diz que eu não sou lá muito boa para falar em política. Ela é uma mulher inteligente, escreve belos poemas, visitar seu blog me faz olhar para um lado bonito da net, de pessoas que buscam a reflexão e a beleza do mundo. Mas ela tem razão, política não é o meu forte. Talvez porque eu goste de escrever sobre coisas que me despertam paixão, que me prendam a atenção, que me façam pensar. E a política, da maneira como anda sendo conduzida no Brasil, está mais para eu esquecer do que celebrar.
Meu voto é no Lula. Votei nele nas eleições passadas, votei nele no primeiro turno este ano e voltarei a votar no Lula no próximo domingo. Tenho alguns amigos que votarão no Alckmin e um monte que dará seu voto ao Luis Inácio. Grande parte do que se costuma chamar de esquerda brasileira confirmará seu voto no PT. Muitos por falta de opção, outros por convicção política. Mas não vamos estereotipar esta tão falada esquerda. Ela não é uniforme, anda bem menos radical nas últimas décadas, descobriu que radicalismo não é o melhor caminho para se avançar política e socialmente.
Eu diria que Lula acabou sendo a única opção para grande parte dos progressistas deste Brasil por sua insistência, por sua determinação em transformar o PT na alternativa para uma visão política que aposta numa mudança econômica e social que traga uma maior autonomia para este Brasil, que caminhe no sentido de diminuir a pobreza, o analfabetismo, a ignorância e a violência decorrentes destas situações. Existe esta necessidade urgente de diminuir as enormes diferenças sociais no Brasil.
O Partido dos Trabalhadores fez uma campanha bonita em 2002. No dia da posse do Lula, há quatro anos atrás, o Brasil parou para assistir aquele momento histórico quando um operário assumia pela primeira vez, com uma vitória estrondosa, a Presidência do Brasil. Perdeu-se ao longo do caminho? Sim, não dá para negar. E esta é a grande falha do governo Lula, ter dado às costas à esperança, aos ideais e a confiança que muitos depositaram em seu governo. Mas, mesmo assim, a cada dia aumenta a sua diferença para seu adversário, o Geraldo Alckmin. Lula continua ganhando as eleições nas diversas pesquisas de opinião.
Acho que esta guerra está perdida para o PSDB. Porque não conseguiram ser uma alternativa nesta eleição. Alckmin errou ao se aliar ao Garotinho no Rio de Janeiro, voltou atrás e ficou pior ainda. Errou ao ser tão agressivo nos debates na televisão e errou ao falar em privatização das empresas estatais. Talvez a máquina do Estado devesse realmente ser enxugada, mas privatizar toda e qualquer empresa é um tiro no pé, pois temos um longo caminho até alcançarmos autonomia mundial para gerir nossos próprios negócios, enquanto isto, privatizar é sinônimo de entregar.
A Hilda, assim como meus pais, votará no Alckmin no próximo domingo. A eles meu respeito por sua opção neste momento. A Lana e o Tico, assim como eu, votarão no Lula neste segundo turno. A eles minha admiração por partilharmos a mesma idéia do que será melhor para o nosso país. A todos, que cada um vote com a certeza de estar fazendo a melhor opção. E assim caminha a humanidade, nesta imensa colcha de retalhos de idéias, debates, divergências. Afinal, nós vivemos numa democracia. Ou não?
THE BEST OF BLOGS
Eu queria agradecer a galera que deixou um comentário lá no The Bobs a favor do De Cara Pra Lua. Valeu pela confiança que todos tiveram neste cantinho que muitas vezes me traz grandes alegrias e outras grandes preocupações. Meu marido tem me dito que fazer o De Cara tem sido um processo de auto conhecimento em minha vida. Acho que ele está certo. Expor-me por inteiro, mostrar a cara, me permitir ser julgada, defender opiniões, manter posições, ter a preocupação de me fazer entender, tentar entender o outro, procurar me defender dos outros, colocar a melhor parte de mim ao fazer este blog tem sido uma experiência bacana e produtiva.
Os blogs escolhidos pela comissão do Best of Blogs como Melhores Blogs em Português são realmente excelentes e me servem de exemplo de como tornar o De Cara cada dia melhor. Todos mostram um trabalho que vem garantindo a este mundo da net um reconhecimento que ultrapassa o fato de que grande parte dos blogueiros é amadora. Dos blogs escolhidos, meu voto foi para o Pensar Enlouquece do Inagaki. Pela competência do Alexandre, por sua escrita bonita e pela leitura do Pensar que é sempre instigante e inteligente. Obrigado, galera! Este ano não deu, mas quem sabe no próximo ano é a nossa vez?
Posted by Susan
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NOVELAS, FICÇÃO E REALIDADE

Milhazes, Beatriz, O Paraíso, 1997
Foto: Worcester Art Museum
Nunca fui muito ligada em novelas na televisão. Mas, este ano fui incentivada por leitores do De Cara Pra Lua a assistir à novela Belíssima da Rede Globo de Televisão. Com um elenco liderado por Fernanda Montenegro e Gloria Pires não foi difícil me interessar pela trama, já que gosto do trabalho das duas atrizes.
Eu acredito que para se assistir a uma novela a gente tem que partir da premissa de que tudo o que se desenrola na TV é mera ficção. O público vem aprendendo com o passar do tempo a separar ficção da realidade e hoje são poucos os que confundem o personagem com o ator que o desempenha. Partindo do princípio de que nada é real eu acredito que tudo seja possível acontecer numa história contada por um escritor de novelas. Belíssima foi assim. Usou e abusou do artifício da ficção, com uma trama para lá de folhetim onde um pobre coitado consegue dar um golpe numa herdeira de uma grande fortuna e em sua administradora.
André, personagem de Marcelo Antony, consegue se apossar dos bens de sua mulher Julia passando a perna nela e em sua avó, Bia Falcão. Quantos casos de grandes, imensas fortunas vítimas de golpe como este nós lemos nas páginas de jornal? Nenhum, não? As grandes fortunas sabem proteger muito bem seu patrimônio, são cercadas de bons administradores, advogados e grandes corporações bancárias por trás de tanto dinheiro. Uma mulher rica pode até ser generosa com o dinheiro herdado da família, gastando-o com homens pobres e disponíveis, mas muito dificilmente se deixará enganar a ponto de perder o controle de sua próspera empresa conhecida no mercado por investidores, fornecedores e adversários nos negócios. Mas, estes ingredientes estavam todos lá em Belíssima e ficamos todos torcendo para que André e Bia Falcão se dessem mal ao final da história.
Sempre afirmei que para se acompanhar uma novela bastaria assistir ao primeiro capítulo, algum outro na metade do caminho e ao capítulo final. Se dramaturgicamente Páginas da Vida é boa ou ruim, eu não saberia dizer com toda a certeza do mundo, mas é impossível acompanhar a trama do Manoel Carlos apenas assistindo a uns poucos capítulos. Páginas da Vida é dinâmica, lida com dramas que podem se inserir em qualquer cotidiano, discute assuntos importantes para a sociedade e nos presenteia com um punhado de boas interpretações. Existe na história alguns exageros? Claro que sim, como existe em todas as novelas da TV brasileira.
Algumas situações são tratadas de maneira ideal, como é o caso da AMA, a casa de cultura fundada pela família do Tide em homenagem à sua matriarca. Mas, mesmo a AMA não está tão longe da realidade assim, talvez ela sintetize o que existe de melhor no circuito cultural do Rio de Janeiro. Quem for a Escola de Artes Visuais do Parque Lage lá encontrará salas de desenho anatômico com modelos nus posando para os estudantes, muita discussão sobre Arte Contemporânea e artistas trabalhando nos pátios e saguões da bela construção concebida em 1809 segundo o gosto da cantora lírica Gabriella Bezanzoni Lage.
Da mesma maneira o recém inaugurado Espaço Cultural da Caixa Econômica Federal lembra muito as instalações da AMA, com salas de workshop, cursos, auditório, teatro, salas de projeção de cinema e a famosa exposição de Portinari que foi foco da inauguração da AMA na novela. Neste circuito eu colocaria também o Centro Cultural Banco do Brasil como fonte de inspiração do autor Manoel Carlos. O belíssimo prédio, que já foi uma agência bancária, abriga exposições importantes de Arte Moderna e Contemporânea, seus salões no primeiro piso são palco para encenações de peças de teatro itinerantes e interativas, com participação das crianças e dos adultos.
Ir ao Centro Cultural numa tarde de domingo é sempre dia de festa, de curtir seu mezanino onde existe um charmoso bistrô, com excelente comida e bastante concorrido pelo público. É lá que eu descansando meus pobres pés cansados depois de um passada no belo circuito cultural do Rio de Janeiro. Quem não conhece, não pode perder esta chance de se sentir por alguns momentos um personagem da novela das oito da Rede Globo de Televisão.
Fotos: EAV
* Beatriz Ferreira Milhazes (Rio de Janeiro RJ 1960). Pintora, gravadora, ilustradora, professora. Formada em comunicação social pela Faculdade Hélio Alonso, no Rio de Janeiro em 1981, inicia-se em artes plásticas ao ingressar na Escola de Artes Visuais do Parque Lage - EAV/Parque Lage em 1980, onde mais tarde leciona e coordena atividades culturais.
Posted by Susan
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DIREITOS E DEVERES

Foto: Globo.com
Talvez nem todos assistam à novela Páginas da Vida. Vamos então esquecer que esta é uma situação de novela. O grande barato dos dramas do Manoel Carlos é que suas polêmicas são casos que podem acontecer a qualquer pessoa, em qualquer lugar e a qualquer momento. Lógico que são situações não corriqueiras, mas se parecem bastante com tantas histórias que a gente já viveu ou já escutou de algum amigo ou conhecido.
Uma mãe jovem e solteira, um rapaz que não assume a gravidez da namorada e cai fora da relação, uma morte inesperada, dois órfãos, uma com Síndrome de Down, uma avó egoísta que dá a neta em adoção por sua condição especial, uma mãe adotiva afetuosa, um pai que retorna reclamando seus direitos. Estes são os ingredientes da história que se desenrola na novela dos oito da Rede Globo de Televisão. Estaria o Leo correto ao reclamar depois de tantos anos a guarda dos filhos que ele sequer reconheceu quando ainda estavam na barriga da mãe? Que direitos tem um pai que renega seus filhos? O que seria mais prejudicial às crianças? Desconhecer a presença do pai ou quebrar laços afetivos com avós e mãe adotiva?
A Lei pode garantir ao Leo o direito do pátrio poder, mas situações que envolvem sentimentos nem sempre podem ser pensadas tão friamente. Marta errou ao entregar Clara para Helena adotar, por outro lado se ela tivesse mantido a neta em sua companhia dificilmente a criança teria o amor, o carinho e as oportunidades de desenvolvimento que a mãe adotiva colocou a sua disposição. Será que Marta, uma mulher extremamente egoísta, cuidaria com atenção de uma criança com necessidades especiais? Será que a menina teria se desenvolvido da maneira que o fez sendo criada por uma mãe adotiva carinhosa, zelosa e consciente de suas necessidades? Marta errou ao dar a criança, Helena errou ao tomá-la ignorando as leis e o desejo do avô, mas a vida acertou por elas.
Leo errou ao renegar os filhos, mas retorna alguns anos mais velho, mais maduro em busca de corrigir seu erro, reconhecer, criar e ser responsável pelas crianças. Deveria esta chance ser negada ao pai? Mais importante ainda, deveria ser negado às crianças seu direito de ter uma pai presente e atuante? São todas questões que não têm respostas simples, prontas e acabadas. Um Juiz para julgar este caso deveria ter sensibilidade para não ferir a vida das crianças, a cadeia de amor que se formou em torno delas e a responsabilidade que cabe a cada um na criação dos filhos de Nanda.
Coisas de novela? Neste caso sim, mas quantos casos você conhece que são iguais ou bem parecidos com o drama mostrado em Páginas da Vida?
Posted by Susan
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