BBB - DE CARA PRA LUA, de Olho no BBB9
A MÍDIA E A FOFOCA

Foto: UOL 

Technorati 

Falar da crise em que se afundou a viação aérea no Brasil esta última semana é tarefa para Hércules já que nos encontramos diante de uma verdadeira caixa preta. Para abri-la, nós esbarramos na estrutura militar do Ministério da Aeronáutica. Esta foi a principal dificuldade encontrada pelos delegados da Polícia Federal para investigar o acidente que envolveu a Gol e o jato americano Legacy.

Que a gente estava voando pelos céus do Brasil em condições precárias, a camuflada greve dos controladores de vôo já deixou evidente. Que as Torres de Controle passam por uma crise de gestão das piores que uma empresa ou segmento pode apresentar, também. Que o controle do espaço aéreo é questão de soberania nacional e, portanto, não pode ser privatizado é fato e política seguida em qualquer país do mundo.

Que o grande problema se localiza na questão de recursos humanos e na desmilitarização dos controladores e não em investimento em tecnologia é o que as informações nos levam a crer. Que o Governo deve assumir a parte que lhe cabe nesta crise é inegável. Tudo isto me faz pensar em como uma empresa, seja ela pública ou privada, fica vinte anos sem investir na renovação substancial de seus quadros. Desde 1986 que não se realiza concursos públicos para controladores de vôo no Brasil.

É triste percebermos o quanto a mídia caiu de pau em cima dos pilotos americanos. Nós aqui também embarcamos nesta maré, mas como não dependemos da mídia para comer e sobreviver, podemos e devemos fazer a nossa mea culpa pelas suposições a respeito das causas do acidente que não se baseavam em fatos e dados reais. Na semana em que aconteceu o acidente com a Gol, a imprensa foi contundente nas críticas aos dois pilotos americanos. Vários jornais divulgaram amplamente as suspeitas que envolviam procedimentos irresponsáveis da nave americana, desde insinuar que os pilotos estariam brincando com a aeronave até afirmar que eles haviam desligado o transponder do avião.

É neste contexto que se encaixa a discussão do papel da mídia e, principalmente, da responsabilidade daqueles que lidam e divulgam as informações no Brasil ou em qualquer outro país, ressaltando que a mídia na América Latina historicamente se confunde com o poder político e raramente teve isenção. No outro dia me passaram um texto interessante, nele se fala a respeito da fofoca. O texto diz o seguinte:

Um rapaz procurou Sócrates e disse que precisava contar-lhe algo.
Sócrates ergueu os olhos do livro que lia e perguntou:

- O que você vai me contar já passou pelas três peneiras?
- Três peneiras?
- Sim. A primeira peneira é a VERDADE. O que você quer contar dos outros é um fato? Caso tenha ouvido contar, a coisa deve morrer aí mesmo. Suponhamos então que seja verdade.
Deve então passar pela segunda peneira: a BONDADE. O que você vai contar é coisa boa? Ajuda a construir ou destruir o caminho, a fama do próximo?

Se o que você quer contar é verdade e é coisa boa, deverá passar pela terceira peneira: a NECESSIDADE. Convém contar? Resolve alguma coisa? Ajuda a comunidade? Pode melhorar o planeta e, arremata Sócrates:
Se passar pelas três peneiras, conte! Tanto eu, você e seu irmão nos beneficiaremos. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e levar discórdia entre irmãos, colegas do planeta.

Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz.

Pois é... Qual é o papel da mídia, ou, melhor, qual é o nosso papel em toda discussão que travamos? Pois aqui também entra o papel de cada indivíduo, neste caso dos especialistas que foram para a TV tecer inúmeras teses e simulações a respeito do que havia acontecido no dia do acidente. Que responsabilidade nós temos ao fazer uma afirmação, estabelecer julgamentos ou mesmo contar uma história a respeito de alguém?

Na minha modesta opinião, nossa responsabilidade é com a verdade dos fatos. Independente de nosso gostar ou não do envolvido na história. Utilizar-se da mídia, seja ela qual for, ou de nossas relações pessoais ou profissionais para propagar histórias inverídicas ou prejudicar alguém é no mínimo irresponsabilidade chegando muitas vezes a ser falta de caráter. Quem assim age não está revelando nenhuma grande verdade ou divulgando um furo de reportagem, está na realidade fazendo fofoca. A imprensa tem que ser livre. Eu acredito que poucas pessoas neste país pensem de maneira diferente. Mas, ela deve ser responsável e não deveria ser clientelista.

O acidente com o avião da Gol revelou a pressa e a irresponsabilidade da imprensa em tirar conclusões que poderiam ter prejudicado imensamente os pilotos americanos do Legacy. A grande fofoca envolvendo seus nomes o prenderam por mais tempo do que o devido aqui no Brasil aguardando a conclusão das investigações. Seus passaportes foram confiscados pela Polícia Federal apesar de o tempo inteiro as informações que o inocentavam estarem disponíveis nas fitas gravadas na Torre de Controle de São José dos Campos que custaram muito a ser liberadas. Acredito que muito do rigor da Polícia Federal tenha sido uma resposta aos questionamentos da grande imprensa.

A retenção das informações pelas autoridades competentes é a principal responsável pelas notícias levianas envolvendo o acidente da Gol com o Legacy? Claro que sim, mas de qualquer maneira a mídia sabia que estava lidando com informações incompletas e com uma investigação em curso, no entanto não hesitou em fazer um imenso alarido em torno dos nomes dos pilotos americanos. Agora, só nos resta liberar os dois pilotos, deixando que eles voltem para suas casas com a certeza de que eles nasceram pela segunda vez no dia 29 de setembro de 2006. E vamos arrumar a bagunça e o descrédito em que ficou o transporte aéreo no Brasil.




Posted by Susan

NEGROS E BRANCOS, RICOS E POBRES

 

Foto: Kotodianguako

A gente não faz idéia de como somos protegidos. Casa, carros, boas escolas são coisas que foram batalhadas por nossos pais para nos darem conforto e que nós batalhamos para nossos filhos para lhes dar o melhor. Com raras exceções, tudo o que conquistamos é fruto de muito trabalho, de sacrifícios, de planejamento do orçamento familiar. Trabalhamos no esquema das prioridades, abrimos mão de determinadas coisas para conseguirmos outras.

Se planejamos uma viagem de férias, provavelmente deixaremos para trocar de carro mais adiante ou faremos a opção de não ter um carro. Se mandamos um filho para uma escola particular abriremos mão de viagens de férias, jantares em restaurantes e cinema aos domingos. Esta tem sido a vida da classe média nas últimas décadas. Mas, de qualquer maneira, a gente não faz idéia de como somos protegidos.

Tenho uma amiga no trabalho cujo filho está cursando o pré-vestibular. Na semana passada ela conversava comigo chateada com a questão das reservas de vagas nas Universidades para negros e estudantes da Escola Pública... Não é justo com meu filho que estudou tanto... Perguntei-lhe se ela achava justo o seu filho ter a oportunidade de freqüentar as melhores escolas da cidade enquanto a grande maioria dos jovens não podia fazê-lo. Fico pensando se já não temos usado o sistema de cotas para ingresso à Universidade durante anos e anos de maneira velada, privilegiando aqueles que podem pagar por um ensino decente em detrimento de quem depende da Ensino Público que se deteriora a cada dia.

Nos EUA a sistemática de cotas para negros nas Universidades tinha como intenção diminuir a discriminação racial. Aqui no Brasil a intenção é a mesma, pois somos um país racista apesar de mascararmos nosso preconceito, mas acredito que esta questão em nosso país se confunde bastante com questões econômicas, já que a grande maioria dos negros são pobres, muito pobres e até mesmo miseráveis. É difícil encontrar alunos negros em escolas privadas da classe média alta. Nunca me esqueço do Zulu, que participou do BBB4, que estudava num dos colégios mais caros de Niterói e que era o único negro em sua sala de aula.

Entendo o dilema de minha amiga, afinal ela paga cerca de um mil e quinhentos reais por mês para que seu filho freqüente um dos melhores cursos de pré-vestibular do Rio de Janeiro. Concordo também quando ela argumenta que uma solução seria investir na Educação Pública e Gratuita, melhorando o ensino e proporcionando a todos a oportunidade de freqüentar uma Universidade.

No entanto, é preciso lembrar que a população negra e mulata foi excluída dos bancos escolares até o início do século XX, criando uma imensa desigualdade de oportunidades. O percentual de freqüência escolar da população negra diminui a medida em que se avança do ensino fundamental para o médio. Nas Universidades apenas cerca de 23 % dos estudantes são negros, nos níveis de pós-graduação cerca de 17%. Portanto, a questão racial sobressai, provando que o preconceito realmente existe em nossa sociedade.

O ensino público de má qualidade contribui para este enorme abismo social? Sem dúvida, mas enquanto não ocorre uma revolução na Educação brasileira o que fazemos com os jovens que apesar de serem alunos inteligentes e estudiosos não puderam freqüentar boas escolas por falta de dinheiro? Eles também desejam ascensão social através de uma carreira profissional de nível universitário. O que fazer? Deixá-los a margem da sociedade?




Posted by Susan

POR UM BRASIL MELHOR!

 

Não sou analista política, mas não dei tantos pitacos fora na análise do que estava acontecendo neste processo de eleições presidenciais. Hoje, pela manhã, foi o momento de ouvir um pouco os especialistas, ler as notícias matutinas e confrontar opiniões.

A Baixada Fluminense, segundo matéria do Bom Dia Brasil, abriga cinco dos maiores colégios eleitorais do Rio de Janeiro e responde por 22 % do eleitorado fluminense. Números expressivos, não? Fico me perguntando porque a Baixada continua no total abandono pelos políticos, sem saneamento básico, sem projeto de urbanização, entregue aos bandidos do crime organizado. Por que os Governadores do Rio de Janeiro não voltam seus olhos para esta expressiva fatia de seu eleitorado?

Lula venceu e convenceu. Com 58 milhões de votos é inegável sua vitória. Sessenta por cento do povo brasileiro votou no Lula. Muitos dizem que a maior parte dos votos recebidos pelo Presidente foram os votos dos pobres. Eles têm razão. O que eu não entendo é porque depreciar esta estatística de maneira esnobe, elitista e preconceituosa e não analisá-la como uma lição que o eleitor brasileiro deu aos analistas especializados, à grande imprensa, aos políticos do PSDB e à uma camada da população que vive de maneira confortável, com casa e comida garantida todos os dias. Foi mostrado de maneira clara e inequívoca o que realmente precisa ser cuidado e mudado no Brasil.

O Alexandre Garcia, visivelmente contrariado com a vitória do Lula hoje pela manhã no Programa da Ana Maria Braga, falou uma coisa com a qual eu concordo. O Geraldo Alckmin perdeu porque não tem carisma e porque deixou-se levar pelos marketeiros profissionais, não imprimiu uma marca forte em sua campanha e repetiu o discurso das forças políticas que ele representava. Geraldo Alckmin falou para uma parcela menor da população, esqueceu-se de falar para os desamparados que são a maioria da população brasileira, de falar dos anseios e das necessidades populares. Falou principalmente de ética quando deveria ter falado em comida, educação, moradia e segurança.

O discurso da ética é importante? Sem dúvida, mas do ponto de vista de quem vota e o faz tendo carências e necessidades urgentes, este discurso não convence. Principalmente porque traz em seu rastro a volta da política elitizada do PSDB. Alckmin errou ao colar sua imagem com a do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso. Esta associação marcou indelevelmente a figura do candidato Alckmin à política do FHC que foi condenada nas últimas eleições de 2002. A ida do Geraldo Alckmin para votar junto com Fernando Henrique, longe de beneficiá-lo lhe imprimiu a marca de garoto de recados do FHC.

Talvez, se tivesse comandado uma campanha de maneira mais independente, se tivesse buscado, em sua campanha de corpo a corpo, ouvir o que o povo teria a lhe dizer ele tivesse sido mais bem sucedido. Mas, ele não ouviu exatamente pelos mesmos motivos que eu vejo tanto luto na net. Total incapacidade de olhar o povo pobre como igual, de olhar este Brasil com os olhos de quem quer ver e não à nossa imagem e semelhança. Chico Buarque foi muito feliz ao declarar que a classe média alta tem vergonha de ser brasileira, gostaria de ser branca, européia ou americana, não reconhece o Lula como a cara do Brasil porque não quer enxergar a realidade de nosso país e tem vergonha de seu povo.

Lula tem carisma, fala a língua de grande parte da população e fez um bom governo mesmo que alguns não queiram se convencer deste fato. Se o Bolsa Família é esmola, ele está garantindo uma cesta básica melhor para milhões de brasileiros. Cabe aos adversários políticos do recém reeleito Presidente da República apresentar propostas de avanços reais na dimunição da pobreza em nosso país. Criar alternativas que substituam ou melhorem o Bolsa Família, caso o Lula não consiga fazê-lo nos próximos quatro anos. Muitos apostaram que Lula não chegaria a metade de seu primeiro mandato presidencial, que seria deposto por suas posições radicais. Não apenas ele cumpriu seus quatro anos como foi reeleito para mais quatro.

Talvez ele não seja perdoado justamente por ter mantido a estabilidade política e econômica no Brasil, pois, na verdade, seus críticos desejam o caos social, a bancarrota do país, a imaturidade política que seria um prato feito para aniquilar nossa soberania nacional. Diogo Mainardi, jornalista da Revista Veja, está pregando a desobediência civil, o não pagamento dos impostos, como se a sociedade devesse ser punida pela vitória do Presidente Lula. Ele esquece que esta vitória foi referendada por 58 milhões de eleitores.

Não podemos garantir o controle dos ganhos efetivos da classe média alta às espessas da fome e da miséria para depois reclamarmos da violência, do caos social, clamando por um sistema penitenciário mais rígido, por pena de morte, pelo isolamento e encarceramento da pobreza que incomoda e atrapalha nossas tardes de domingo.

Eu acredito que esta seja a hora da conciliação, da união de propósitos, da briga por um Brasil cada vez mais forte econômica e politicamente. A possível derrota nos próximos quatro anos do Governo Lula não será uma derrota individual do Presidente, será uma derrota de todos nós brasileiros e patriotas. É hora de unir este país de Norte a Sul numa grande corrente de otimismo e confiança. Criticar sim, mas fazer críticas que almejem o crescimento e não que nos levem para o buraco e a desunião.




Posted by Susan

A VITÓRIA É EMINENTEMENTE DA SABEDORIA DO POVO BRASILEIRO

Lula se reelege com mais de 58 milhões de votos. Parabéns, Presidente! 

 

MINHAS RAZÕES

Foto: UOL 

Hoje é um dia importante, dia de eleger o Presidente do Brasil. Tudo leva a crer que o Lula vencerá este segundo turno, mas como muitas vezes tivemos viradas de última hora, só resta aguardar para sabermos o resultado desta eleição de 2006. Agora está faltando pouco para termos certeza de quem estará à frente do Brasil pelos próximos quatro anos.

Muito do debate entre aqueles que votam em um ou em outro candidato se detém na questão pessoal de cada possível Presidente. Principalmente quem defende a candidatura do Alckmin dizendo ser ele mais bem educado, com diploma universitário e, portanto, com maior capacidade para governar nosso país e nos representar no exterior, como se governar fosse apenas uma questão de estampa.

Acredito que a capacidade de um Presidente não se mede por sua capacitação pessoal, ela pode ser importante, mas não é fundamental. A Presidência da República não é uma questão de um homem apenas, mas do conjunto de forças políticas que o apóiam e que ele representa, o que certamente dará a tônica de seu governo. Alckmin pode ser um cara educado, bem preparado, até culto, mas neste momento político seu currículo pessoal pouco importa, pois não invalida o fato de que ele se aliou ao que existe de pior na política no Brasil, o PFL.

É no PFL onde se abrigam os egressos da política dos anos de ditadura. É lá que estão os coronéis e os desabrigados da antiga Arena. A eles interessa manter o país no atraso político e econômico, são pessoas que sempre jogaram para que o Brasil não se desenvolvesse, que atrelaram o país durante anos a uma dívida externa astronômica.

Eu jamais poderia votar num Presidente que estabelece este arco de alianças. Não estou votando na pessoa Geraldo, mas sim no político Alckmin, que ao primeiro sinal de uma possível vitória se alia rapidamente ao Antony Garotinho no Rio de Janeiro. Naquele momento, o Geraldo Alckmin mostrou do que ele seria capaz se for eleito Presidente da República. Não dá para rebuscar muito o discurso, pois mesmo que o Alckmin quisesse, ele não conseguiria realizar os avanços políticos e sociais que o Brasil precisa e merece. Justamente pelas alianças que ele fez.

Não posso votar numa coligação que esqueça os caminhos obscuros da ditadura militar, que jogue para debaixo do tapete as torturas, a censura, a venda do país para o capital estrangeiro, o desmonte da educação pública e gratuita, o sucateamento das Universidades e da pesquisa científica no Brasil, os 80 % de inflação ao ano. O que está em jogo não é uma questão ética como muitos tentam fazer crer, pois ética por ética, o PT e o PSDB empatam neste quesito. Os dois partidos estão cheios de histórias para contar, o PT deixou que as suas fossem reveladas, o PSDB escondeu as suas quando não deixou que elas fossem apuradas.

As forças políticas que o Geraldo Alckmin representa são tão ou mais sujas do que o dinheiro de dossiês ou mensalões. São forças que apoiaram a tortura e morte de brasileiros que lutaram para fazer deste país um lugar livre e democrático. Muitos querem saber de onde veio o dinheiro para comprar o dossiê, eu gostaria de saber o que está escrito nele para valer tanto. Num passe de mágica, o PSDB conseguiu mudar o rumo da discussão e colocar todo o foco em cima da origem do dinheiro, tirando a atenção do conteúdo do dossiê, fazendo crer que uma candidatura era mais ética do que a outra.

Voto no Lula, não por ser o menos pior, pelo contrário. Voto no melhor, pois voto na melhor política para governar o meu Brasil. Aquela que aponta para a possibilidade de uma real mudança no país.




Posted by Susan


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