BBB - DE CARA PRA LUA, de Olho no BBB9
Noites Musicais

Paulinho da Viola

É comum a gente sonhar, eu sei
Quando vem o entardecer
Pois eu também dei de sonhar
Um sonho lindo de morrer.

Vejo um berço e nele eu me debruçar
Com o pranto a me correr.
E assim chorando acalentar
O filho que eu quero ter.

Dorme meu pequenininho,
Dorme que a noite já vem.
Teu pai está muito sozinho
De tanto amor que ele tem.

De repente o vejo se transformar
Num menino igual a mim
Que vem correndo me beijar,
Quando eu chegar lá de onde vim.

Um menino sempre a me perguntar
Um porquê que não tem fim.
Um filho a quem só queira bem
E a quem só diga que sim.

Dorme menino levado,
Dorme que a vida já vem.
Teu pai está muito cansado
De tanta dor que ele tem.

Quando a vida enfim me quiser levar
Pelo tanto que me deu
Sentir-lhe a barba me roçar
No derradeiro beijo seu.

E ao sentir também sua mão vedar
Meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz e me embalar
Num acalanto de adeus...

Dorme meu pai, sem cuidado.
Dorme que ao entardecer
Teu filho sonha acordado
Com o filho que ele quer ter...

O Filho que eu quero ter, Vinicius de Moraes e Toquinho

 




Posted by Susan

O Artur nasceu!

Poucas coisas me fazem chorar de felicidade nessa net que muitas vezes se torna dura, crítica e calcada em nossos egos e necessidade de estar com a razão. Mas onde está a razão em qualquer discussão? Onde se encontram a felicidade e a alegria num universo que se torna repetitivo em suas demonstrações quer seja como fãs ou como comentaristas em blog de BBB, até mesmo, como blogueiros? Vivemos um movimento cíclico, somos presas fáceis de atitudes vistas e revistas tantas vezes em nossa história. Talvez por isso eu tenha me tornado refratária a abraçar determinadas emoções de peito aberto, apesar de ser uma chorona confessa. Coisas de seres humanos que nasceram sob a égide de Peixes com ascendente em Peixes. Chorarei pelo resto de meus dias, não tenho escapatória.

Mas, aqui no DCPL, existem momentos mágicos que nos deixam perceber o que de fato é importante e relevante em nossa vida. Eu já falei nos laços que criamos e que mudaram, e muito, o perfil deste blog. Por mais incrível que pareça eu devo esse ato de gratidão a alguém, o de ter permitido o " me expor" e, de tabela, o viver intensamente minha relação com vocês. Em minha concepção não existem leitores mais antigos ou mais novos no DCPL, existem pessoas que trazem em suas atitudes, opiniões e concepção de vida sua contribuição a mim e a todos os freqüentadores do blog.

Dizem que o único lugar em que antiguidade é posto é no quartel, no entanto, é lógico que é necessário levar em consideração as relações construídas ao longo do caminho. O tempo, nesse caso, não é desprezado, pelo contrário faz parte do pacote. Elas ficam cada dia, mais e mais, embasadas pela confiança e pelo carinho. É assim na vida, é assim no De Cara Pra Lua. Mas, meu coração e minha amizade a todos vocês pertencem, independente de tempo, espaço e quantidade de dias, meses ou anos que a gente tenha gasto juntos. Os amigos antigos um dia também foram amigos recentes, assim como os novos amigos se tranformarão num futuro próximo ou distante em velhos amigos.

E nesse caminho do tempo, a vida que se renova é sempre um presente, tanto para mim quanto para os demais leitores. É a família DCPL que cresce. Hoje eu chorei, chorei de verdade, de emoção, de felicidade e de carinho. O Artur nasceu e a Vanessinha nos mandou a foto de seu lindo bebê. Fiquei feliz e muito tocada por seu relato como mãe. Fiquei pensando o quanto valeu a pena esses quatro anos passados em frente a esse computador tentando deixar minhas impressões para debate quer seja sobre o BBB ou sobre qualquer outro assunto interessante para nossa discussão.  Vanessa enfrentou 15 horas em trabalho de parto com muita coragem, o Artur estava com o cordão umbilical enrolado em seu pescocinho e a Van submeteu-se a uma cesariana para que ele nascesse lindo e saudável. Mas, somente a Van seria capaz de descrever sua alegria e emoção. Por isso, transcrevo aqui parte do e-mail de nossa amiga contando sobre sua felicidade em ser mãe. Van, eu e Roberto estamos esperando no Rio você e sua família com ao braços abertos. Salve, salve Vanessinha!


 

Para quem diz que não doi, é mentira. Doeu muito, mas quando nasceu é como se eu não tivesse passado por essas 15 horas, é como se eu tivesse acabado de chegar... Foi incrivel e mágico. Dizem que Nossa Senhora passa a mão na mãe para a dor parar, deve ser verdade. 
Eu nunca tinha me imaginado mãe, e agora tenho uma criança linda em casa, que só de falar nele eu me emociono. Quando ele me olha, quando dá uns sorrisos, é realmente mágico. Faz esquecer todas as dores, até as dos pontos...

Um grande beijo, e pode aguardar, ele ficando maior vamos visitar vocês ai no RJ. Porque eu amo o Rio!!!

Vanessa




Posted by Susan

Entrevista Exclusiva do Dhomini ao "De Cara Pra Lua" em Novembro de 2004

Foram muitas as entrevistas publicadas ao longo dos quatro anos do De Cara Pra Lua. A maioria das pessoas que hoje freqüenta o blog desconhece o rico material que foi coletado em todo esse tempo. O ano passado foi impossível continuar com as já tradicionais entrevistas já que para fazê-las é preciso certo distanciamento das polêmicas que são a tônica de cada edição. O BBB7 parecia que não tinha fim. Na verdade a sensação é que fechamos o pacote BBB7/BBB8 ao mesmo tempo.

A entrevista com o Marcelo Arantes me trouxe muitas lembranças e saí em busca desses papos informais mantidos com esses meninos e meninas que fazem nossa alegria durante três meses do ano. Achei que seria interessante compartilhar com vocês e fazer uma espécie de revival das edições anteriores. Temos material suficiente para mostrarmos uma entrevista por semana até que chegue a próxima edição. Sendo assim, todas as sextas-feiras nós estaremos revivendo o passado. Afinal de contas, saudade não tem idade.

DCPL: Como você definiria o "homem" Dhomini ?
Dhomini: Um homem normalíssimo com todas as comuns aflições de qualquer outro, porém com uma visão muito positiva de tudo. Sou meio tosco por causa do jeito que fui criado mas nada impossível de conviver.

DCPL: Você sempre falou que a Esfera foi importante na sua vida. Em que momento você sentiu que este era o seu caminho?
Dhomini: Desde o primeiro dia em que fui lá não parei mais, me encontrei completamente a partir do terceiro ano, defini tudo o que eu queria através das palestras do Isto, e continuo experimentando as coisas que ele ensina.

DCPL: De todas as experiências que você viveu, qual foi a que melhor te preparou para enfrentar o Big Brother Brasil?
Dhomini: Ah! Suzan é impossivel separá-las porque foi o conjunto de coisas vividas até então, a infância humilhante, a adolescência sem grana, a juventude com as mulheres e depois todos os trabalhos por que passei, açougueiro caminhoneiro, manobrista, vendedor, areieiro, peão, até trabalhar em Brasília com quem manda, de tudo eu aprendi um pouco mas foi sem dúvida o Isto que equalizou essas experiências em mim.

DCPL: Qual a importância que sua família tem na sua vida?
Dhomini: É tudo o que eu tenho, porque com grana ou sem grana eles estão sempre rente no pé do eito pro que der e vier.

DCPL: Você se acha uma pessoa especial?
Dhomini: Especial com relação a quê? acho não só acho que Deus é doido comigo.

DCPL: Qual seu pior defeito? E sua maior qualidade?
Dhomini: Eu sou chato, meu Deus não me aguento!!! só me tacando no mar, mas sou fiel aos meus verdadeiros amigos.

DCPL: Você imaginava que seria tão cobrado em suas atitudes quando saiu do Big Brother Brasil?
Dhomini: Claro que não, não dou satisfação nem pro meu pai que dirá pra alguns loucos que eu nem sei quem são, virtuais acham que podem controlar minhas atitudes. Eu só faço o que eu quero e tenho vontade, o que pensam disso foda-se! Se quiserem estar ao meu lado "sejam bem vindos" se quiserem ir embora "vão com Deus" mas vivam o momento sempre não se prendam gente, isso aqui passa voando, só existe o agora.

DCPL: Qual foi o momento mais feliz em toda sua vida?
Dhomini: Sem dúvida o momento da vitória no bbb foi muito emocionante e especial, mas o mais feliz foi nos braços de uma mulher em um certo local perto da natureza, em que claro, eu preservarei o nome porque isso pertence só a nós dois.

DCPL: Você se arrepende de alguma coisa que você tenha feito? Ou que não tenha feito?
Dhomini: Que tenha feito não pois aproveito tudo, agora que eu não fiz tem um caminhão de coisas e pior que não volta mais, agora eu entendo quando meu pai fala: ah! se eu tivesse à vinte anos a experiência de hoje, mas fazer o quê?? já era! logo, viva o presente.

DCPL: Como está sendo lidar com a decepção que alguns fãs tem expressado após você voltar a namorar a Manuela?
Dhomini: FÃS??? quando se é fã se gosta do jeito que é, sem cobrar nada, incondicionalmente, agora falar pra mim que só sou seu fã se vc agir de acordo com o que eu penso, já vai tarde, está enganado a meu respeito pensando que eu aprovo apedrejar as pessoas que eu amo, eu daria a vida por todos eles que dirá defende-los, por isso minha reação é só uma não mudo, morro por quem eu amo e acabou.

DCPL: Você acredita em amor eterno?
Dhomini: Eu só acredito em uma energia amorosa mas se ela se manifestar tem que ser eterna do contrário ela não existe ,e esse planeta está longe de se contaminar com amor ,pois ele é incondicional, muito diferente do que vemos por aí e pensamos que é amor, o que nós conhecemos é posse, e queremos controlar o outro, a eterna satisfação de fazer seu companheiro sofrer, amor ,amor é o que Jesus sentia por Madalena ali sim era real eterno, não depende do que vem em troca, só te amo se me amar, não, simplesmente flui de mim pra você, o que você vai fazer com isso é problema teu, mas eu continuo te amando. fui claro Suzan? queria tanto te falar isso pessoalmente! vem aqui.

DCPL: Como que a experiência de passar pelo Big Brother te afetou como pessoa?
Dhomini: Me deixou mais bruto, porque o big brother é a minimização do que está acontecendo com o mundo, estamos trocando nossa liberdade por segurança e eu te falo com propriedade que é muito melhor ser livre.

DCPL: Você sempre foi considerado um campeão. Como foi lidar com a derrota nas eleições para vereador em Goiânia? O que você aprendeu com tudo isso?
Dhomini: Foi normal eu estava pronto pra isso também, só perde quem compete, e aprendi que ,ou melhor confirmei que tudo na vida é cíclico, passa em cima passa em baixo ...

DCPL: Se surgisse uma excelente proposta profissional, você voltaria a morar em São Paulo?
Dhomini: Sim.

DCPL: Quais são seus planos para o futuro?
Dhomini: Eu não tenho, o futuro não existe, deixe que ele traga suas próprias preocupações, viva o presente este sim é real, viva o momento, todos eles por mais simples que possa parecer , um copo de água fresca um lençol limpinho, uma criança rindo, aproveite tudo mas sempre atento no agora, agora, agora, viu o primeiro agora já era só existe agora... Dhomini...


DCPL: Em nossa última entrevista, você falou na infância humilhante. Como foi esta infância? Quem era o menino André?
Dhomini: Eu nasci em Passos MG meu pai perdeu os pais com sete anos e foi criado pelo dono da fazenda que meus avós trabalhavam,com o tempo se tornou um pequeno produtor de leite mas nos idos de 1981 perdeu tudo e fomos pra goias,eu tinha nove anos e fui morar numa chácara na periferia da cidade que é onde moro até hoje.

As casas eram distantes havia poucos vizinhos e eu cresci meio bichinho do mato,talvez por isso eu era alvo de gozação na escola ,magricelo eu apanhava e não tinha turma,e o tempo passou sem que eu sentisse um pingo de saudade dessa época.

DCPL: Dhomini, o que significou a adolescência sem dinheiro e a juventude com as mulheres?
Dhomini: Quando comecei a trabalhar eu ajudava o papai com o gado ele matava vaca clandestino e entregava nos açougues correndo de fiscais,minha mão de obra não valia nada porque eu só tava pagando o que comia logo dinheiro não tinha.

Mas o interesse pelas mulheres era grande ,coisa que foi despertada pelo meu irmão,e quando eu aprendi a lidar com o sexo oposto não parei mais de querer aprender,tive poucas namoradas mas de longos namoros,Keila 2 anos de namoro,Simone 2 anos de namoro,Ana Kárita(minha melhor paixão)5 anos de namoro,Patricia mãe da minha filha,durou nada,Werônica 3 anos de flagelo,Oh!mulher louca!Até chegar na Manu e o resto vcs sabem.

DCPL: Você falou também das várias profissões que você exerceu. Ou seja, caminhoneiro, açougueiro, peão, arieiro e finalmente trabalhar em Brasília com políticos. Explica melhor cada uma dessas fases de sua vida.
Dhomini: Açougueiro quase na verdade eu abatia e entregava,era uma fase peculiar porque foi aí que eu perdi o medo das coisas ,enfrentando fiscais e polícia porque não recolhia imposto era uma labuta pelas madrugadas.

Caminhoneiro eu fui muito tempo e fui muito próspero também,consegui algumas coisas boas nessa época mas o caminhão era de sociedade e só eu trabalhava então quis parar,quando vendi o caminhão comprei minha parte de bezerros e fui cuidar eu mesmo também foi bom até que o trem de ferro matou a metade numa tarde fatídica e meu pai obrigou a vender o que sobrou pra que não acontecesse de novo(vergonha).

Não é arieiro é areieiro,eu tirava areia no córrego no fundo de casa,córrego água branca,e vendia pros caminhões que chegavam,esse era difícil,era na mão não tinha draga,e foi o serviço mais pesado que eu já fiz.

Passei um tempo desempregado minha filha nasceu e eu conheci um anjo que namorava com o Isto chamada Fill irmã do deputado que gostou de mim e me fez secretário do irmão,aí fui eu pra Brasília,vcs precisam conhecer!Lá peguei traquejo pra lidar com todo tipo de pessoa,quem estuda ali no congresso não se assusta com nada na vida.

DCPL: Você afirmou ser uma pessoa tosca. O que você quer dizer com esta definição?
Dhomini: O que a própria palavra diz,sem polimento,grosso,foi o que vi durante minha formação não é possivel fazer de mim um homem fino,comportado talvez mas fino sem chance,mas a idade está me acalmando bastante.

DCPL: Você algum dia pretendeu ser um ídolo? Ou um exemplo de conduta para alguém?
Dhomini: Sabe que não,meu exemplo de conduta nem pode ser seguido,as pessoas tem que estudar,ser um Dhomini é muito arriscado.

DCPL: Você acha que o seu namoro com a Manuela é motivo para tanta decepção por parte de seus fãs? Por que você acha que as pessoas reagiram da maneira como fizeram?
Dhomini: Porque me conheceram fazendo outra coisa,conquistando uma mulher que não é mais minha e o que eles querem é que eu continue fazendo isso,só que eu não tenho como,e como explicar isso tantas vezes?Deixem o mundo girar,aquilo que vcs viram o superman fazer,mudar o curso da história,é mentira prova disso que ele morreu.

DCPL: Como você e a Manuela estão enfrentando estas críticas?
Dhomini: Simplesmente não enfrentamos apenas observamos.

DCPL: No Chat da Juli, você falou que ao ver a reação da Manuela às ofensas feitas pelas suas fãs, você se sentiu culpado "de novo". Você carrega muita culpa ou arrependimento pelo que você fez durante e depois do BBB com sua vida amorosa?
Dhomini: Arrependimento nunca,culpa sempre,eu feri pessoas e isso gerou feridas em mim mesmo.

DCPL: Em nossa última entrevista você falou que se arrependia de várias coisas que você não fez. Diga-me que coisas foram estas. E por que?
Dhomini: Eu deixei ir embora uma mulher que eu amava pelo simples fato de não saber conversar,mas eu era novinho,eu perdi um amigo que confiava muito um homem companheiro porque não quis ajudá-lo em uma coisa que não concordava,e outras coisinhas que passam batido por pura covardia.

DCPL: As pessoas te cobram muito você voltar a aparecer na televisão. Você acha que valeria a pena trabalhar na televisão atualmente?
Dhomini: Claro que vale se compensar,se a remuneração valer tudo que se passa aqui fora vale sim.

DCPL: Um dia você falou que não pretendia fazer carreira política porque era uma vida muito difícil. Você agora está sendo cogitado para trabalhar para o Íris Rezende. O que mudou?
Dhomini: O convite do Íris abala qualquer um,ele é o esteio de Goiás,todo mundo aqui sabe disso mesmo que não concordem,logo vamos aguardar.

Esta entrevista com o Dhomini foi publicada em Novembro de 2004. NA verdade, são duas entrevistas concedidas com diferença de dias. Naquele momento o ex-BBB enfrentava algumas polêmicas com seus fãs por conta de seu namoro com a Manuela. Coisas que hoje estão muito distantes, atualmente Dhomini é casado com uma bela goiana. É interessante notar que essas entrevistas vão formando um mosaico que é a nossa história no Big Brother Brasil. As polêmicas são muitas e bem parecidas. Bem vindos ao Túnel do Tempo!


 




Posted by Susan

Rapidíssimas Big Brother Brasil

Íris no EGO. Os colegas de confinamento do BBB7 com quem ela mantém contato são Fani, Alemão, Flavia e Justin

 

Gyselle diz não à Playboy. O cachê não vale a pena....

 

Marcos e Nathália gravam o Programa da Xuxa. O laço entre Nat e Papai Vanoli está cada vez mais forte. Será namoro ou amizade?

 

Marcelo hoje de manhã na Ana Maria Braga... Não percam!

 




Posted by Susan

Cinema no "De Cara Pra Lua"

Cenas Inesquecíveis...


Another bride Another June
Another sunny honey moon
another season, another reason
for makin' whoopie

A lot of shoes, a lot of rice
the groom is nervous. He answers twice
its so Killin that he's so willin'
To make whoopee

Picture a little love nest
down where the roses cling
picture the same sweet love nest
Think what a year can bring

He's washing dishes and baby cloths
He's so ambitious he even sows
but don't forget folks thats what you get folks
for makein whoopee

Another year or maybe less
what's this I hear? Well you can't you guess
She feels neglected and he's suspected
of makin' whoopee

She sits alone most every night
He doesn't phone her he doesn't write
he says he's busy but she say's "is he?"
He's makin' whoopee

He doesn't make much money
only five thousand per
some judge who thinks he's funny
says you'll pay six to her

he says now judge suppose i fail
the judge says budge right into jail
you better keep her i think it's cheeper
then makeing whoopee

you better keep her
I know it's cheaper than makin' whoopee

Makin´ Woopee, Gus Kahn

 




Posted by Susan

Entrevista Exclusiva do Marcelo Arantes ao "De Cara Pra Lua"

 

 

DCPL: Como foi a sua infância?

Marcelo: Tive uma infância feliz, sem atropelos, criado por meus pais junto a uma irmã e outros dois irmãos de mesma faixa etária. Nasci em Uberaba, no Triângulo Mineiro, mas passei a primeira infância em Viçosa, quando meu pai concluía a pós-graduação. Depois voltei a Uberaba, onde vivi até os meus dez anos numa fazenda experimental, lugar em que aprendi a gostar de plantas e de bichos. A época do ano mais aguardada eram as férias escolares, quando viajava à cidade de meus pais, Piumhi e Capitólio, no sudoeste de MG, para encontrar os parentes e brincar no rancho da família, no lago de Furnas. Sentia que era uma criança com uma sensibilidade diferente, gostava das conversas de adulto, mas também jogava bola, videogame, brincava, fazia o catecismo, ia ao clube nos finais-de-semana, e estudava música no conservatório da cidade. Meus pais me fizeram dedicado aos estudos desde cedo e eu gostava de me destacar nas notas.

DCPL: Qual foi o fato mais importante em sua adolescência?

Marcelo: Não consigo identificar um fato isolado que tenha sido o mais importante, mas um conjunto deles. Na verdade minha adolescência foi quase integralmente dedicada às atividades escolares, não que eu fosse um nerd, mas era considerado diferente da maioria. Deixava as aulas de educação física para escrever o jornalzinho do colégio, era um adolescente politizado, enfrentativo, e sofria represálias pelos outros alunos no colégio. Para piorar “namorei” o garota mais bonita do colégio (rs). Mas um fato marcante do período foi a descoberta e consciência do desejo sexual. Inesquecível e doloroso assumir-me como indivíduo distinto do grupo, ainda mais vivendo em um ambiente tão conservador.

DCPL: Como foi encarar o rito de passagem para a maturidade?

Marcelo: Muito natural, passando por todas as etapas que o jovem passa, inclusive a negação no início. Mas logo percebi a importância do amadurecer como processo de independência afetiva e material. Pude assim jogar a favor de meu próprio time, entendendo-me como indivíduo pronto e necessitado para a maturidade.

DCPL: Por que ser médico? Principalmente qual o porquê da escolha pela Psiquiatria?

Marcelo: Contam que desde criança dizia que seria médico. Tinha fascinação pela profissão, achava-a desafiadora. Gostava de passar em frente ao prédio da Faculdade de Medicina e dizia que estudaria ali. Depois convivi com um tio que se formou médico e morou algum tempo conosco, em Uberaba. Foi minha primeira influência. Outras vieram de alguns professores do ensino médio que eram estudantes de medicina, e de minha irmã mais velha, que é médica. Quanto à Psiquiatria, acredito que é a especialidade que mais identifica o biológico ao humano, porque lida com o pensamento, com o comportamento. Sempre me atraiu, embora também goste de outras áreas, como Clínica Médica, Pediatria, Saúde Coletiva e Medicina de Urgência.

DCPL: Como esse conjunto de coisas, infância, juventude, profissão, influenciou sua decisão em entrar no Big Brother?

Marcelo: Tudo aquilo que me permiti construir até hoje possibilitou a ousadia de acreditar ser possível realizar um sonho, basta correr atrás. O desejo de entrar no programa veio desde sua primeira edição. Amadureci a idéia e, com o passar dos anos, percebi que os participantes tornaram-se cada vez mais repetitivos, previsíveis, evasivos e artificiais. Então pensei que teria chance de vencer o jogo se pudesse ir contra este movimento de mesmice, se pudesse me mostrar como ser humano corajoso o suficiente para expor fraquezas e não apenas virtudes. Então gravei o vídeo de inscrição e enviei-o, acreditando cegamente que seria chamado pela produção. E realmente fui.

DCPL: Em que parte de sua estratégia na casa do BBB entrou a revelação sobre sua homossexualidade?

Marcelo: No momento em que percebi que deveria jogar transparente com o público e expor as minhas verdades próprias. Ao entrar na casa estava em um relacionamento homossexual, vivido com toda a naturalidade que lhe é direito. Ao contrário de vários outros participantes de edições passadas, com exceção de apenas um, que são homossexuais e se esconderam, eu não quis parecer nebuloso ou obscuro para o público. E só agindo assim poderia exigir transparência dos demais concorrentes, que, creio eu, não estariam (e realmente não estiveram) preparados para isto. Os outros estavam ali para criar personagens irreais. Faltava-lhes ousadia para se expor e quis pegá-los também neste ponto.

DCPL: A revelação de sua orientação sexual pegou o público de surpresa. Por que você o fez de maneira tão confusa?

Marcelo: Não entendo porque pegaria o público de surpresa se já no primeiro dia do programa, durante o show de Daniela Mercury, respondi abertamente sobre isto a um dos jornalistas que perguntou sobre minha homossexualidade, dentro da casa. Acredito que tenha sido estratégia do programa não mostrar isso de cara na edição. Mas em minha cabeça o Brasil inteiro já sabia de minha sexualidade desde o início. O que fiz, depois, foi me abrir aos “colegas” um-por-um, numa seqüência que permitisse ao telespectador perceber minha “ordem de afinidade moral” com cada um ali dentro, e assim conhecer-me mais.

DCPL: No início do programa você estava interessado na Gyselle como mulher? Isso poderia ter te impedido de se mostrar por inteiro?

Marcelo: Quando começou o programa, eu estava me relacionando com alguém aqui fora. Isto era do conhecimento da maioria de meu círculo íntimo, e também estava disposto a dividi-lo com o público. Acontece que me interessei por Gyselle quando a conheci. Confesso que me vi angustiado por lidar com um sentimento tão inesperado, e de repente com a possibilidade de me envolver com uma garota ali, porque isto poderia aparecer para o público como atitude incoerente. É o ser humano revelado. Permitindo-se ao sentimento. Quis mostrar isto, inclusive.

DCPL: As provocações e as discussões que você teve na casa tiveram duas facetas, uma boa e outra ruim. Até onde você analisa que foi bom e até onde foi ruim?

Marcelo: Acredito que quando se colocam quartorze indivíduos confinados juntos, espera-se que sejam diferentes, que tenham suas peculiaridades, e que queiram discuti-las para que se acertem. Infelizmente, e como já citei aqui antes, a maioria dos participantes preferiu fingir ali que era amiga de infância, acreditando (e estavam certos!) que o público comum não quer ver, não está pronto, e nem gosta de admitir, a complexidade dos relacionamentos humanos. É “pesado” ver duas pessoas discutindo para que se acertem também na televisão, porque a maioria já tem que enfrentar essa dura realidade em sua própria vida, seja na família, no namoro, no trabalho, ou na escola. Então penso que eu possa ter me transformado, para muitos, no bode expiatório, no canal para onde escoavam diariamente o próprio ódio de sua inevitável e intrínseca dificuldade de conviver. Pessoas que delegaram a mim o papel de intolerante que coube na verdade a elas mesmas, quando não souberam entender a importância que eu poderia representar ali na resolução da diferença para o acerto de contas. A edição também precisava de um pólo distinto, e me situou antagonicamente a todos os outros. Sobre ser “bom” coloco a consciência limpa do dever cumprido. Sobre o lado “ruim” vou explicar exemplificando. Há uma semana fui abordado incisivamente por um desconhecido com problemas mentais, em Copacabana. Então um colunista de O Globo noticiou friamente três dias depois uma nota maldosa intitulada “Psiquiatra Ataca” em que dá detalhes sinistros (e inverídicos) como “rolaram no chão” etc. Isso simplifica em parte o processo que tenho vivido hoje, após o BBB: embora seja vítima de permanente ataque por ter perdido minha privacidade, estou no inconsciente coletivo de muitos como alguém que ataca gratuitamente.

DCPL: Na maioria das vezes o que você falava era reflexo do que o público pensava aqui fora, parecia que você sabia o que nós discutíamos na net a respeito dos participantes. A partir de que momento foi ficando evidente para você a personalidade de cada um?

Marcelo: É uma questão difícil de se responder, porque varia de um participante a outro. As personalidades que se tornaram mais evidentes em geral foram as dos participantes que permaneceram mais tempo na casa porque pudemos analisá-las com mais recursos. Mas não a regra, porque alguns que saíram no começo tiveram-me a personalidade bem revelada como o caso de Jaqueline, e outros que ficaram mais até o fim não, como o caso de Natália e Rafinha, que só fui conhecer realmente ao sair da casa, assistindo aos vídeos. Fiquei satisfeito ao encontrar aqui fora muita gente que obteve conclusões semelhantes às minhas sobre os confinados, por isso acredito ter-me tornado um bom especialista em Síndrome do Confinamento (rs).

DCPL: O rompimento com Gyselle enfraqueceu mais a você ou a ela?

Marcelo: Enfraqueceu aos dois, mas tirou dela o primeiro lugar, não tenho dúvida. Gy tinha as maiores popularidades, e acredito que poderia ter ganho se não tivesse se estranhado comigo. Àquela altura (no meu segundo paredão, em que saiu Juliana) eu pensava que fosse ser eliminado e quis compartilhar com o público o meu sofrimento. Gy e eu estávamos fortalecidos por torcidas e objetivos comuns quando de repente ela equivocou-se acreditando que eu fosse aos olhos do público uma pessoa absolutamente ruim, e abriu mão de nossa amizade. Reatou assim que eu permaneci no jogo. Ao romper (e reatar) comigo, Gyselle foi vista com maus olhos por parte do público que outrora a admirava mas não compreendia seu argumento de que “Marcelo lhe fazia mal”, percebendo a incongruência do jogo declarado que vinha de alguém que dizia não jogar. Hoje isso nos parece muito claro, e felizmente somos grandes amigos e confidentes. Posso afirmar com certeza que sua amizade foi um dos maiores prêmios que o Big Brother me trouxe.

DCPL: Como seus conhecimentos de Psiquiatria te ajudaram a compreender a natureza de cada participante do BBB8?

Marcelo: Sou categórico em dizer que minha natureza humana investigativa me levou a ser Psiquiatra, e não o contrário. Se a profissão ajudou? Talvez tenha atrapalhado, porque para muitos me tornei um “manipulador de mentes” ou coisa do gênero simplesmente por ser Psiquiatra. Ou pior, um “arrogante prepotente” por supostamente achar que minhas idéias seriam superiores às dos adversários em um jogo onde o que é avaliado é um componente de meu trabalho, ou seja, o comportamento humano.

DCPL: A vida é melhor antes ou depois do BBB8?

Marcelo: A vida é a mesma, apenas mais difícil. Antigamente, no anonimato, poderia errar aos olhos dos outros. Agora temo que não admitam. Mas sou humano. Portanto continuarei lutando pela liberdade de não ser perfeito.

Entrevistar o Marcelo fazia parte do processo de discussão e entendimento do BBB8. Para nós, aqui no De Cara Pra Lua, era uma promessa a muitos de nossos leitores. Dizem que de médico e louco todos nós temos um pouco. Marcelo é médico e de louco tem apenas a coragem de ter se exposto e de ter dado a cara para bater num programa líder de audiência na maior emissora do país. Ficar quieto pelos cantos e sair de são é fácil, o difícil é enfrentar a loucura do confinamento de peito aberto. Espero que vocês gostem da entrevista. Marcelo, obrigada pela atenção e pelo carinho. O De Cara Pra Lua estará sempre de portas abertas para você.




Posted by Susan

Entrevista Exclusiva do Marcelo Arantes ao "De Cara Pra Lua"

Foto: Dois Minutos

DCPL: Como foi a sua infância?

Marcelo: Tive uma infância feliz, sem atropelos, criado por meus pais junto a uma irmã e outros dois irmãos de mesma faixa etária. Nasci em Uberaba, no Triângulo Mineiro, mas passei a primeira infância em Viçosa, quando meu pai concluía a pós-graduação. Depois voltei a Uberaba, onde vivi até os meus dez anos numa fazenda experimental, lugar em que aprendi a gostar de plantas e de bichos. A época do ano mais aguardada eram as férias escolares, quando viajava à cidade de meus pais, Piumhi e Capitólio, no sudoeste de MG, para encontrar os parentes e brincar no rancho da família, no lago de Furnas. Sentia que era uma criança com uma sensibilidade diferente, gostava das conversas de adulto, mas também jogava bola, videogame, brincava, fazia o catecismo, ia ao clube nos finais-de-semana, e estudava música no conservatório da cidade. Meus pais me fizeram dedicado aos estudos desde cedo e eu gostava de me destacar nas notas.

DCPL: Qual foi o fato mais importante em sua adolescência?

Marcelo: Não consigo identificar um fato isolado que tenha sido o mais importante, mas um conjunto deles. Na verdade minha adolescência foi quase integralmente dedicada às atividades escolares, não que eu fosse um nerd, mas era considerado diferente da maioria. Deixava as aulas de educação física para escrever o jornalzinho do colégio, era um adolescente politizado, enfrentativo, e sofria represálias pelos outros alunos no colégio. Para piorar “namorei” o garota mais bonita do colégio (rs). Mas um fato marcante do período foi a descoberta e consciência do desejo sexual. Inesquecível e doloroso assumir-me como indivíduo distinto do grupo, ainda mais vivendo em um ambiente tão conservador.

DCPL: Como foi encarar o rito de passagem para a maturidade?

Marcelo: Muito natural, passando por todas as etapas que o jovem passa, inclusive a negação no início. Mas logo percebi a importância do amadurecer como processo de independência afetiva e material. Pude assim jogar a favor de meu próprio time, entendendo-me como indivíduo pronto e necessitado para a maturidade.

DCPL: Por que ser médico? Principalmente qual o porquê da escolha pela Psiquiatria?

Marcelo: Contam que desde criança dizia que seria médico. Tinha fascinação pela profissão, achava-a desafiadora. Gostava de passar em frente ao prédio da Faculdade de Medicina e dizia que estudaria ali. Depois convivi com um tio que se formou médico e morou algum tempo conosco, em Uberaba. Foi minha primeira influência. Outras vieram de alguns professores do ensino médio que eram estudantes de medicina, e de minha irmã mais velha, que é médica. Quanto à Psiquiatria, acredito que é a especialidade que mais identifica o biológico ao humano, porque lida com o pensamento, com o comportamento. Sempre me atraiu, embora também goste de outras áreas, como Clínica Médica, Pediatria, Saúde Coletiva e Medicina de Urgência.

DCPL: Como esse conjunto de coisas, infância, juventude, profissão, influenciou sua decisão em entrar no Big Brother?

Marcelo: Tudo aquilo que me permiti construir até hoje possibilitou a ousadia de acreditar ser possível realizar um sonho, basta correr atrás. O desejo de entrar no programa veio desde sua primeira edição. Amadureci a idéia e, com o passar dos anos, percebi que os participantes tornaram-se cada vez mais repetitivos, previsíveis, evasivos e artificiais. Então pensei que teria chance de vencer o jogo se pudesse ir contra este movimento de mesmice, se pudesse me mostrar como ser humano corajoso o suficiente para expor fraquezas e não apenas virtudes. Então gravei o vídeo de inscrição e enviei-o, acreditando cegamente que seria chamado pela produção. E realmente fui.

DCPL: Em que parte de sua estratégia na casa do BBB entrou a revelação sobre sua homossexualidade?

Marcelo: No momento em que percebi que deveria jogar transparente com o público e expor as minhas verdades próprias. Ao entrar na casa estava em um relacionamento homossexual, vivido com toda a naturalidade que lhe é direito. Ao contrário de vários outros participantes de edições passadas, com exceção de apenas um, que são homossexuais e se esconderam, eu não quis parecer nebuloso ou obscuro para o público. E só agindo assim poderia exigir transparência dos demais concorrentes, que, creio eu, não estariam (e realmente não estiveram) preparados para isto. Os outros estavam ali para criar personagens irreais. Faltava-lhes ousadia para se expor e quis pegá-los também neste ponto.

DCPL: A revelação de sua orientação sexual pegou o público de surpresa. Por que você o fez de maneira tão confusa?

Marcelo: Não entendo porque pegaria o público de surpresa se já no primeiro dia do programa, durante o show de Daniela Mercury, respondi abertamente sobre isto a um dos jornalistas que perguntou sobre minha homossexualidade, dentro da casa. Acredito que tenha sido estratégia do programa não mostrar isso de cara na edição. Mas em minha cabeça o Brasil inteiro já sabia de minha sexualidade desde o início. O que fiz, depois, foi me abrir aos “colegas” um-por-um, numa seqüência que permitisse ao telespectador perceber minha “ordem de afinidade moral” com cada um ali dentro, e assim conhecer-me mais.

DCPL: No início do programa você estava interessado na Gyselle como mulher? Isso poderia ter te impedido de se mostrar por inteiro?

Marcelo: Quando começou o programa, eu estava me relacionando com alguém aqui fora. Isto era do conhecimento da maioria de meu círculo íntimo, e também estava disposto a dividi-lo com o público. Acontece que me interessei por Gyselle quando a conheci. Confesso que me vi angustiado por lidar com um sentimento tão inesperado, e de repente com a possibilidade de me envolver com uma garota ali, porque isto poderia aparecer para o público como atitude incoerente. É o ser humano revelado. Permitindo-se ao sentimento. Quis mostrar isto, inclusive.

DCPL: As provocações e as discussões que você teve na casa tiveram duas facetas, uma boa e outra ruim. Até onde você analisa que foi bom e até onde foi ruim?

Marcelo: Acredito que quando se colocam quartorze indivíduos confinados juntos, espera-se que sejam diferentes, que tenham suas peculiaridades, e que queiram discuti-las para que se acertem. Infelizmente, e como já citei aqui antes, a maioria dos participantes preferiu fingir ali que era amiga de infância, acreditando (e estavam certos!) que o público comum não quer ver, não está pronto, e nem gosta de admitir, a complexidade dos relacionamentos humanos. É “pesado” ver duas pessoas discutindo para que se acertem também na televisão, porque a maioria já tem que enfrentar essa dura realidade em sua própria vida, seja na família, no namoro, no trabalho, ou na escola. Então penso que eu possa ter me transformado, para muitos, no bode expiatório, no canal para onde escoavam diariamente o próprio ódio de sua inevitável e intrínseca dificuldade de conviver. Pessoas que delegaram a mim o papel de intolerante que coube na verdade a elas mesmas, quando não souberam entender a importância que eu poderia representar ali na resolução da diferença para o acerto de contas. A edição também precisava de um pólo distinto, e me situou antagonicamente a todos os outros. Sobre ser “bom” coloco a consciência limpa do dever cumprido. Sobre o lado “ruim” vou explicar exemplificando. Há uma semana fui abordado incisivamente por um desconhecido com problemas mentais, em Copacabana. Então um colunista de O Globo noticiou friamente três dias depois uma nota maldosa intitulada “Psiquiatra Ataca” em que dá detalhes sinistros (e inverídicos) como “rolaram no chão” etc. Isso simplifica em parte o processo que tenho vivido hoje, após o BBB: embora seja vítima de permanente ataque por ter perdido minha privacidade, estou no inconsciente coletivo de muitos como alguém que ataca gratuitamente.

DCPL: Na maioria das vezes o que você falava era reflexo do que o público pensava aqui fora, parecia que você sabia o que nós discutíamos na net a respeito dos participantes. A partir de que momento foi ficando evidente para você a personalidade de cada um?

Marcelo: É uma questão difícil de se responder, porque varia de um participante a outro. As personalidades que se tornaram mais evidentes em geral foram as dos participantes que permaneceram mais tempo na casa porque pudemos analisá-las com mais recursos. Mas não a regra, porque alguns que saíram no começo tiveram-me a personalidade bem revelada como o caso de Jaqueline, e outros que ficaram mais até o fim não, como o caso de Natália e Rafinha, que só fui conhecer realmente ao sair da casa, assistindo aos vídeos. Fiquei satisfeito ao encontrar aqui fora muita gente que obteve conclusões semelhantes às minhas sobre os confinados, por isso acredito ter-me tornado um bom especialista em Síndrome do Confinamento (rs).

DCPL: O rompimento com Gyselle enfraqueceu mais a você ou a ela?

Marcelo: Enfraqueceu aos dois, mas tirou dela o primeiro lugar, não tenho dúvida. Gy tinha as maiores popularidades, e acredito que poderia ter ganho se não tivesse se estranhado comigo. Àquela altura (no meu segundo paredão, em que saiu Juliana) eu pensava que fosse ser eliminado e quis compartilhar com o público o meu sofrimento. Gy e eu estávamos fortalecidos por torcidas e objetivos comuns quando de repente ela equivocou-se acreditando que eu fosse aos olhos do público uma pessoa absolutamente ruim, e abriu mão de nossa amizade. Reatou assim que eu permaneci no jogo. Ao romper (e reatar) comigo, Gyselle foi vista com maus olhos por parte do público que outrora a admirava mas não compreendia seu argumento de que “Marcelo lhe fazia mal”, percebendo a incongruência do jogo declarado que vinha de alguém que dizia não jogar. Hoje isso nos parece muito claro, e felizmente somos grandes amigos e confidentes. Posso afirmar com certeza que sua amizade foi um dos maiores prêmios que o Big Brother me trouxe.

DCPL: Como seus conhecimentos de Psiquiatria te ajudaram a compreender a natureza de cada participante do BBB8?

Marcelo: Sou categórico em dizer que minha natureza humana investigativa me levou a ser Psiquiatra, e não o contrário. Se a profissão ajudou? Talvez tenha atrapalhado, porque para muitos me tornei um “manipulador de mentes” ou coisa do gênero simplesmente por ser Psiquiatra. Ou pior, um “arrogante prepotente” por supostamente achar que minhas idéias seriam superiores às dos adversários em um jogo onde o que é avaliado é um componente de meu trabalho, ou seja, o comportamento humano.

DCPL: A vida é melhor antes ou depois do BBB8?

Marcelo: A vida é a mesma, apenas mais difícil. Antigamente, no anonimato, poderia errar aos olhos dos outros. Agora temo que não admitam. Mas sou humano. Portanto continuarei lutando pela liberdade de não ser perfeito.

Entrevistar o Marcelo fazia parte do processo de discussão e entendimento do BBB8. Para nós, aqui no De Cara Pra Lua, era uma promessa a muitos de nossos leitores. Dizem que de médico e louco todos nós temos um pouco. Marcelo é médico e de louco tem apenas a coragem de ter se exposto e de ter dado a cara para bater num programa líder de audiência na maior emissora do país. Ficar quieto pelos cantos e sair de são é fácil, o difícil é enfrentar a loucura do confinamento de peito aberto. Espero que vocês gostem da entrevista. Marcelo, obrigada pela atenção e pelo carinho. O De Cara Pra Lua estará sempre de portas abertas para você.

 




Posted by Susan

Cinema no De Cara Pra Lua

Cenas inesquecíveis...

O Poderoso Chefão III

 

É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!

Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo."

Fernando Pessoa




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