Somos todos marginais

Primeiro vem a explicação de minha quase ausência nesses dois últimos dias. No próximo final de semana eu estarei participando de um Seminário no trabalho e estou a semana inteira envolvida na organização. Mas, existem muitas idéias que foram provocadas pelo debate no Jornal Extra que eu gostaria de ir discutindo com vocês conforme eu for fazendo uma leitura menos apaixonada do acontecimento. O Encontro do DCPL no final de semana passado também foi um catalisador a respeito do Big Brother. Tirando as fofocas, que fazem parte de qualquer grupo que se junta para diversão, estar com aqueles que ficaram mais próximos do blog e que, consequentemente, foram ao encontro única e exclusivamente por conta disso também leva a gente a refletir um bocado sobre o papel das torcidas e da internet nesse contexto.
Não tenho pretensão nenhuma de fazer um tratado sociológico ou antropológico sobre o fenômeno já que me faltam ferramentas para tanto, mas vou discorrendo sobre minhas impressões, que é o que eu na verdade faço aqui no De Cara Pra Lua. Nunca me declarei jornalista ou intelectual e talvez os resultados acabem vindo dessa combinação que não me deixa nem tanto ao mar e nem tanto à terra. Não sou um antropólogo como Carlos Messender, que participou do debate no Extra, mas tampouco sou um Ratinho. Fico cá nesse meio termo que me é mais confortável. Gosto de falar de idéias, mas não recuso o papel importante que os Ratinhos têm na movimentação dessa massa imensa de pessoas que se apaixonaram pelo programa. Todo e qualquer olhar preconceituoso nos leva para desvios de radicalismos e para posturas de que eu sou melhor do que você que está longe de traduzir os caminhos da net que gosta e curte o Big Brother. Existe espaço para todos, talvez a nossa vaidade exacerbada se coloque no caminho e atrapalhe um pouco essa compreensão.
Da mesma maneira se comportam as torcidas no BBB, ficam num cabo de guerra entre a discussão do pior e do melhor que nada acrescenta, mas que faz parte do processo de contruir o sucesso do programa. E aí, como ignorar? Impossível, não? Essa paixão sem limites é o mote contínuo da net, mobiliza milhões e milhões de reais em votos na época dos paredões, em mensalidades pagas aos provedores de internet e à TV por assinatura, faz e desfaz campeão, influencia na mídia e no próprio rumo do programa. Isso ficou muito claro na sétima e oitava edições.
Provas de Líder foram revistas, discussões que eram travadas nos Blogs apareciam nas edições diárias no mesma noite e, assim, a net foi encontrando seu lugar de destaque no sucesso do BBB. Como menosprezar o papel dessa multidão? Como diminuir a contribuição do chamado "povo gado"? Como diria minha amiga Lana, sou povo gado com muito orgulho. Até porque existe muito "gado" por aí que gosta de dizer que não é, mas se comporta exatamente como todo mundo e até, muitas vezes, de maneira pior. Cada vez fica mais claro para mim que não existe certo e nem errado nas discussões do BBB. Tampouco gado, mulas ou grupos intelectualmente mais esclarecidos. Quando se cai de cabeça na discussão do Big Brother, somos todos nivelados no mesmo patamar.
O espanto demonstrado pelo Jean ao saber que o romance de Íris e Alemão teve defensores ferrenhos na net nada mais é do que a tradução daquilo que ele observou ao assistir o BBB7, não quer dizer que ele esteja certo ou errado, é apenas a visão dele e nada mais. Não existe verdade absoluta. Assim como a minha ótica romântica é apenas a minha visão, é como eu encarei a narrativa da história do triângulo amoroso. Se Diego representava uma história de pacote de Tang o ônus dessa decisão foi apenas dele, pois as torcidas são implacáveis em seu julgamento tanto para o bem quanto para o mal. O papel que eu assumi foi o de contar uma história e dar a minha visão dos fatos. Que nunca estará certa e nem errada. E essa é a grande charada do Big Brother, desvendar a personalidade de cada um de acordo com nossa própria experiência e visão do mundo, enfrentar a discussão e aproveitar o mote daquilo que se desenrola diante de nós para buscar ganchos onde se discuta alguma questão interessante.
E, na sétima edição, contrapor o amor romântico ao amor carnal e descobrir o desejo imenso de grande parte do público de buscar um resgate nas relações amorosas, de reencontrar algo que se perdeu com a comercialização e banalização descarada do sexo, foi uma experiência ímpar para o DCPL. Muito mais rica, pelo menos em minha visão dos fatos, do que ter medo de tomar Ki Suco. E, mesmo ao abraçar essa visão, saber que eu não me excluo desse contexto comercial e banal que o sexo assumiu. Essa compreensão me ajuda a encarar com respeito aqueles que apreciaram e buscaram uma outra explicação para o desenrolar do enredo do triângulo amoroso, pois se eu divulgo e vibro com cada contrato fechado pelas meninas com a Revista Playboy, eu seria hipócrita em dizer que estou acima desse bem e desse mal.
Enfim, na verdade existe espaço para todos. O que falta muitas vezes é o respeito. Mesmo achando que algumas colocações no debate estavam fora do contexto, eu não posso negar que existe todo um caminho de sucesso para diversas linhas de leituras do BBB. Existem pessoas que fazem uma linha mais low profile, outras escracham mais, outras tantas criticam o programa e não entram na discussão dos personagens. E, assim, a discussão vai caminhando e ampliando cada participação da net.
Eu não gosto de todo funk que escuto, mas reconheço a expressão da música nascida para exaltar a cultura negra e que tomou um caminho próprio nos bailes das Comunidades cariocas da periferia. O funk pornográfico e marginalizado é expressão de nossa sociedade, é a nossa janela de frente para o crime que nunca se fecha. E, assim como na discussão do Big Brother, é uma vertente da música que tem um leque enorme de possibilidades de discussão. E, assim como na discussão do Big Brother, existe quem enxergue de dentro e quem olhe de fora. Para muitos da mídia, nós, Blogs que discutem o BBB, somos todos marginais e sub cultura, somos, na verdade, todos uns Ratinhos independente da opinião que nossa vã vaidade tenha a nosso respeito.
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Uma semana dedicada ao Big Brother Brasil

Esta foi sem dúvida uma semana dedicada ao Big Brother. Começou na segunda-feira quando eu tive o prazer de finalmente encontrar o Gê do BBB5. Jantamos no Degrau, que já está virando o palco do DCPL, mas não tirei nenhuma foto, pois não era um encontro sobre BBB, era mais um papo entre amigos. Fui convidada por uma amiga comum e adorei saber as novidades da vida do Dr. Padovan. Rogério está muito bem, tem um consultório nos Jardins em São Paulo, outro em Niterói e dá aulas sobre técnicas avançadas de cirurgia plástica.
Na terça-feira foi o dia do Debate onde estavam presentes Nathália, Jean Wyllys, Fani e quando eu finalmente encontrei o Marcelo. E, no sábado, o Encontro 2008 do DCPL, que na verdade começou na quinta-feira com a Mar ciceroniano a galera no Rio de Janeiro. A cada encontro os laços entre as pessoas vão ficando maiores e mais carinhosos, somos quase todas já conhecidas o que dá ao encontro um caráter íntimo, parecemos amigas de infância. Vamos aos poucos agregando novos participantes, os recebendo de braços abertos e assim cresce no DCPL o sentido da amizade. Extrapolamos o virtual com uma graça e leveza que faz de nossos encontros algo divertido e recheado de muitas risadas.
Este ano foi particularmente interessante, pois tivemos a presença inesperada da Thati Rio que, assim como o Gê, participou da quinta edição do BBB. Na semana do encontro eu recebi um e-mail da Iracilda perguntando se poderia convidar a Thati, pois ela é amiga de sua prima... Claro que pode Iracilda, será um prazer; eu respondi. E realmente foi um prazer finalmente conhecer a Thati. Já havíamos nos falado muito por telefone assim que ela saiu do Big Brother, mas jamais tivemos a oportunidade de estarmos frente a frente. Tanto Thati quanto Gê mostraram que são tão divertidos e simpáticos ao vivo e em cores quanto eram no programa. Thati também está muito bem profissionalmente, tem um monte de planos que assim que estiverem concluídos nós já combinamos que faremos uma entrevista com ela para sabermos das novidades e discutirmos a vida no pós-BBB.
O Encontro foi tudo de bom. Rever os velhos amigos sempre é muito bacana e trazer novos para nosso convívio é melhor ainda. As histórias são inúmeras e só mesmo cada um para contar suas impressões sobre o que aconteceu no Rio de Janeiro nesses últimos quatro dias. Eu curti cada momento. O jantar na sexta-feira com a galera que veio de outros estados e o almoço no sábado no Restaurante Degrau no Leblon. Ainda teremos muitos outros daqui pra frente. Os Encontros do DCPL já fazem parte de nossa história. Valeu galera!




Posted by Susan
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